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Informações sobre o enfarte, conhecido popularmente como ataque cardíaco.

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A vida quotidiana

Preocupações do doente coronário

Que se deve fazer nos primeiros dias após a alta hospitalar? 

Devem seguir-se estritamente as normas indicadas pelo hospital. Quer dizer, a estância em casa não é mais que um prolongamento da convalescença. Há ainda um longo caminho a percorrer até à cura total. Deve seguir-se ao pé da letra tanto o programa de reabilitação como o tratamento médico prescritos. Mesmo sentindo-se bem, não se devem fazer mais esforços além dos expressamente marcados no programa de reabilitação. Deve dar-se tempo ao coração até adquirir novamente a sua potência muscular habitual.

Quantas horas por dia se deverá dormir?

É conveniente dormir umas 8-9 horas diárias, deitando-se sempre à mesma hora. Mesmo assim, é conveniente fazer uma sesta de 1 ou 2 horas após as refeições. Um par de meses depois do princípio do enfarte, este horário pode ser mais flexível, mas é benéfico continuá-lo.

Poder-se-á fumar? 

Isso equivaleria a um suicídio. Um único cigarro pode desencadear uma isquemia miocárdica tão importante que pode levar à morte. Nunca mais se poderá fumar.  É necessário vigiar os locais fechados em que se fume muito. E cortá-los. O fumo do tabaco poderia desencadear uma angina de peito.

Pode-se tomar banho em água fria? 

Não é conveniente que a temperatura da pele sofra uma mudança brusca, já que a impressão causada poderia originar um espasmo cor­nário, com o consequente perigo para o miocárdio. É preferível, pois, a água morna.

Será possível a exposição a baixas temperaturas sem perigo?

Sim, sempre e quando se esteja conve­nientemente agasalhado. O vento frio, sobre­tudo de frente, poderia desencadear uma an­gina de peito. Este perigo é maior às primeiras horas da manhã.

Pode-se apanhar sol, no Verão? 

Nas primeiras semanas posteriores a um enfarte não é conveniente submeter-se a altas temperaturas, dado que a vasodilatação pro­duzida pelo calor na pele e a transpiração poderiam diminuir a condução do sangue ao miocárdio.

Como se poderá melhorar o controlo da doença? 

Deve ter-se presente que antes de decidir a alta hospitalar, o médico estudou detidamente o caso e está completamente certo de que o doente não fica em perigo se seguir as suas indicações. De qualquer forma, se o doente ficar apreensivo, pode submeter-se à elec­trocardiografia transtelefónica, que consiste no registo do electrocardiograma através do telefone mediante um aparelho de fácil aquisição. Em caso de dor, deve telefonar-se à central receptora e colocar o aparelho no peito. Após o registo, o médico dirá o que deve fazer-se. Este serviço funciona 24 horas por dia e é útil tanto para a angina de peito como para o enfarte do miocárdio e suas complicações.

Poder-se-á conduzir? 

Depois do programa de reabilitação e conhecendo as características pessoais da doença o médico dirá quando poderá começar a conduzir. Normalmente, e após um enfarte sem mais complicações, poder-se-á conduzir não mais do que 2-3 horas seguidas e de forma relaxada a partir dos 3 meses. A partir dos 6 meses poder-se-á conduzir durante 5-6 horas seguidas.

Emoções 

Devem-se evitar emoções fortes, pelo menos até cumprir um prazo de 3 meses desde o aparecimento do enfarte de miocárdio. Dizem-se por emoções fortes todas as que pressuponham uma excessiva tensão emo­cional para o doente (stress). Dever-se-ão evitar os parques de atracções, os filmes de terror, os desgostos familiares, os problemas laborais, etc.

Depende do impacto causado pela doença. Durante os primeiros dias após o enfarte, é normal uma reacção de tipo depressor, supe­rando-se à medida que o paciente se der conta de que pode realizar uma vida social prati­camente normal. No entanto, muitas pessoas nesta situação caem em verdadeira depressão . Neste caso é conveniente a visita a um psicólogo ou psiquiatra. É necessário ter presente que nada tem a loucura com a depressão e que ninguém vai chamar louco a quem recorre a um psiquiatra. Deve ter-se confiança nele, pois o seu auxílio pode ser precioso.

É necessário mudar de vida? 

O enfarte de miocárdio apresenta-se tanto em pessoas com uma vida tranquila como nas que a têm agitada. Se se pertencer a este segundo grupo e se cuidar que a vida acaba por não se poder seguir com a mesma forma de existência, deverá pensar-se que o essencial é viver. Será surpreendente a quantidade de experiências que a vida pode proporcionar e foram até então completamente desconhecidas do doente.

Pode-se descansar na montanha?

É conveniente ir à aldeia sempre que se puder, visto a vida citadina ser excessivamente agitada. No entanto, sempre que se ultrapassar os 800-1000 metros de altitude, deverá con­sultar-se o médico, já que nestas altitudes a concentração do oxigénio no ar diminui pro­gressivamente.

Quando se poderão ter relações sexuais?

No caso de se ter sofrido um enfarte de miocárdio sem complicações, poder-se-á iniciar a actividade sexual uns três meses depois do episódio agudo. Nos primeiros dias aconselha-se uma atitude mais passiva, incre­mentando-a de forma progressiva. Não se deve tomar nunca nenhum tipo de estimulante da libido, isto é, do desejo sexual. As relações sexuais extraconjugais cos­tumam ser mais extenuantes, pelo que não são aconselháveis, pelo menos nos primeiros 6 meses após o enfarte. No caso de angina de peito, se as relações sexuais desencadearem dor torácica, é acon­selhável tomar um comprimido de nitro­glicerina sob a língua 5 minutos antes de as iniciar. Em caso de aparecimento de dor, deve suspender-se a actividade e repousar.

alimentação

Que se pode comer?

Se não se sofrer nenhum tipo de doença metabólica, como hipercolesterolemia, diabetes ou hiperuricemia, poder-se-á comer de tudo. Mas há que ter cuidado especial em não abusar das gorduras.

Se se tratar de uma pessoa obesa, é acon­selhável uma dieta pobre em calorias, a fim de se perder peso. Isto diminuirá muito o trabalho do coração. Se se sofrer de hipercolesterolemia, aconselha-se uma dieta pobre em gordura. É conveniente recorrer a um médico controlando periodicamente os níveis de colesterol e elaborando uma dieta personalizada. Como regras gerais, aconselham-se os alimentos grelhados ou cozidos. O azeite cru não é nocivo. Deverão evitar-se carnes gordas como a de porco, cordeiro, etc. Deverão evitar-se, as bebidas alcoólicas. Sendo-se diabético, deve recorrer-se a um endocrinologista que controlará o problema tanto do ponto de vista dietético como medicamentoso. Se se tiver elevado ácido úrico no sangue, deverão evitar-se alimentos com alto conteúdo de proteínas, carne de caça, marisco, peixe azul, enchidos, frutos secos e bebidas alcoó­licas de alta graduação .

Como norma geral, é aconselhável não ingerir grandes quantidades de comida nem alimentos pobres em resíduos e de difícil digestão. É aconselhável o consumo de frutos e vegetais, ricos em fibra. Estes alimentos combatem a prisão de ventre, situação nada aconselhável num paciente com doença coronária.

Pode beber-se álcool? 

A ingestão de álcool em doses muito b~tixas parece ter um efeito protector sobre a doença coronária. O problema reside em que, supe­rando-se tal dose, o efeito é contrário. Por­tanto, aconselhamos não tomar bebidas alcoólicas habitualmente.

Pode tomar-se café? 

Sim, se não ultrapassar duas chávenas diárias.

Podem tomar-se bebidas gaseificadas?

Em geral, não existe nenhuma contra-indicação. No entanto, o abuso das mesmas pode condicionar um aumento do conteúdo gasoso do intestino produzindo em algumas pessoas uma ligeira sufocação e palpitações desagradáveis pela dilatação do estômago ou calor comprimindo o coração. Tais palpitações não têm importância alguma, mas podem assustar.

No caso das bebidas com cola e outros excitantes, não é conveniente abusar delas e não devem tomar-se à noite, pois podem produzir insónia

actividade física

Poderá praticar-se desporto, após o enfarte de miocárdio? 

Não só se poderá praticá-lo, como se deverá fazê-lo. Já à terceira semana do enfarte se praticará, se não houver complicações, uma prova de esforço para comprovar a capacidade de rendimento físico e para determinar o nível de esforço abaixo do qual se não sofre qualquer perigo. A partir desta prova de esforço, o cardiologista encarregado ela­borará um programa de reabilitação baseado em exercícios de ginástica complementados com passeios, a fim de aumentar a capacidade de esforço. Os problemas de reabilitação variam segundo o centro hospitalar, mas costumam durar entre 3 a 6 meses. A partir deste momento, o cardiologista aconselhará o tipo de desporto mais adequado ao caso. Não são aconselháveis os desportos implicando mudança brusca de ritmo, como o squash ou o ténis. Tão-pouco são aconselhá­veis desportos exigindo grande esforço físico como a pelota, o futebol ou o levantamento de pesos. Os desportos fatigantes como o automo­bilismo também não são aconselháveis.

Recomendamos aos nossos pacientes exer­cícios dinâmicos sem chegar nunca ao esgotamento físico. Tais desportos são o ténis, o jogging, o ciclismo, a natação, etc.Não é aconselhável em caso de doença coronária nenhum desporto de competição.

Corre-se algum perigo durante o desporto?

Sempre que se pratique o desporto deve fazer-se de forma relaxada. Deve-se estar cómodo sem chegar ao esgotamento físico. Uma regra útil para não se esgotar é manter um nível de esforço que lhe permita falar comodamente. Seguindo-se estas directrizes, não se correrá perigo algum.

A sauna é conveniente? 

Passados seis meses do enfarte, pode o doente submeter-se a sessões breves e pouco intensas de sauna. Como já explicámos ao falar das altas temperaturas (ver pág. 135), llão são convenientes a vasodilatação cutânea nem a transpiração excessiva, dado diminuir o volume do sangue que chega ao coração.

Pode jogar-se golfe? 

O golfe é um dos desportos mais indicados após um enfarte de miocárdio, dado realizar-se ao ar livre, caminhando-se sem chegar ao esgotamento físico e não é fatigante salvo em competição.

actividade laboral

Quando se poderá retomá-Ia? 

Em condições normais, isto é, em enfartes não complicados, a actividade laboral poderá retomar-se aproximadamente três ou quatro meses depois. Podemos distinguir três tipos de trabalho.

No primeiro caso, é pouco provável poder a pessoa dedicar-se à sua actividade laboral habitual, sendo candidato na maioria dos casos à incapacidade permanente para o trabalho.

No segundo caso, costuma ser necessário reduzir de forma considerável o horário de trabalho e a intensidade do mesmo. Estas pessoas devem aprender a delegar res­ponsabilidades, devendo enriquecer as suas actividades ociosas

Finalmente, os do último grupo não costumam ter inconvenientes de horário nem de responsabilidade. No entanto, este tipo de doentes possui uma problemática especial de diflcil solução. Dedicaram-se toda a vida a cumprir ordens sem poder desenvolver toda a sua capaCidade intelectual, o que pode desembocar em estados de frustração e de­pressão crónicas.

De qualquer forma, não se pode generalizar, e será o médico assistente juntamente com o cardiologista e o próprio doente que deverão encontrar a solução laboral idónea em cada caso.


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