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Aparecimento da doença coronária

Existem dois grandes grupos de factores de risco. No primeiro, estão os factores de risco maiores, quer dizer, os que se relacionam com o aparecimento da doença em todas as investigações realizadas sobre o tema. No segundo, incluem-se os factores de risco de menor importância (quadros 1 e 2).

factores de risco maiores

Vamos comentar cada um dos factores de risco, destacando os aspectos mais importantes de cada um deles.

idade

Em todos os estudos realizados até à data observou-se que a doença coronária, seja qual for a sua manifestação, é muito rara abaixo dos trinta e cinco anos de idade. A partir deste momento, a frequência de aparecimento vai aumentando progressivamente.

sexo

A relação de frequência de aparecimento da doença entre homens e mulheres é de 6 a 1 antes dos cinquenta, já que os estrogénios (hormonas femininas) possuem um papel protector das artérias coronárias. Após a menopausa, a incidência desta doença aumenta nas mulheres devido a uma diminuição, normal, das ditas hormonas.

hipercolesterolemia

Consiste na elevação das cifras de colesterol no sangue. Não existe um nível normal de colesterol abaixo do qual não se desenvolva a doença coronária, e, consequentemente, estes valores variam de país para país segundo o tipo de dieta típica de cada um deles. Em Espanha consideram-se normais cifras abaixo de 260 mg/dl, enquanto que nos Estados Unidos o valor médio será inferior a 220 mg/dl, e nos países africanos, onde a dieta é basicamente à base de frutas e vegetais, os níveis de colesterol situam-se sempre abaixo de 200 mg/dl. Isto implica que pessoas consideradas normais em Espanha possam ser consideradas doentes nos Estados Unidos. O que é certo é que quanto maiores são as cifras de colesterol, maior é o risco da doença coronária.

A causa principal do colesterol no sangue é a dieta rica em gorduras, mas existem além disso outras doenças em que o colesterol se eleva independentemente da dieta, como por exemplo, a hipercolesterolemia familiar hereditária.

O colesterol do sangue não circula de forma livre, mas unido a outros tipos de lípidos (ou gorduras) e proteínas, formando o que se denominam as lipoproteínas. Segundo a percentagem de colesterol incluído nas mesmas, existem três tipos de lipoproteínas: as VLDL (Very Low Density Lipoprotein, lipoproteína de muito baixa densidade), as LDL (Low Density Lipoprotein, lipoproteína de baixa densidade) e as HDL (High Density Lopoprotein, lipoproteína de alta densidade). Do ponto de vista do desenvolvimento de lesões obstrutivas nas artérias, os tipos que mais nos interessam são o LDL e o HDL. A elevação do primeiro e a descida do segundo favorecem o aparecimento da doença coronária . enquanto o contrário protege o organismo da mesma.

A elevação dos triglicéridos no sangue (outro tipo de gorduras) não se relacionou directa e claramente com o desenvolvimento de doença coronária.

hipertensão arterial

Tensões arteriais superiores a 159 mm Hg de sistólica (tensão máxima 15,9) e/ou superiores a 95 mm Hg de diastólica (tensão mínima 9,5) relacionaram-se com o aumento do aparecimento de doença coronária.

A parede arterial está preparada para suportar uma determinada pressão. Caso esta aumente, a parte interna sofrerá pequenas “feridas”. Por um mecanismo parecido ao da cicatrização, os bordos destas “feridas” crescerão; isto produzirá, como efeito secundário, um aumento do volume da parede interna favorecendo o início de um processo obstrutivo. A obstrução agravar-se-á ao aderirem a esta superfície as gorduras circulando no sangue. O resultado final são as denominadas placas de ateroma.

tabagismo

Também está estreitamente relacionado com o aparecimento da doença, já que o fumo do tabaco possui um efeito tóxico directo sobre a parede interna das artérias e tende a lesioná-las. A maioria destas lesões relaciona-se com o número de cigarros consumidos diariamente, a composição dos mesmos e a idade em que se iniciou o hábito de fumar. Assim, pois, fumar menos de um maço por dia duplica a frequência de aparecimento de doença em relação aos não fumadores e fumar mais de um maço, triplica-a.

outros factores de risco

obesidade e vida sedentária

A obesidade é uma acumulação de gordura e aumento de peso superior a 20% do que corresponde à altura e à compleição fisica. Quando uma pessoa é obesa, é-o habitualmente por comer em excesso e por fazer pouco exerCÍcio. Isto condiciona um aumento do colesterol LDL no sangue, uma descida do HDL e hipertensão arterial (sobre os significados destas siglas veja-se a pág. 32). Se a isto se somar o facto de que as pessoas obesas tendem a fumar mais por um problema de inactividade, chegar-se-á à conclusão de que possuem muitos factores de risco de doença coronária.

diabetes

Comprovou-se que o seu correcto tratamento não diminui o risco de doença coronária. Portanto, é de vital importância extremar o controlo dos demais factores de risco.

personalidade temperamental e ansiosa

Não está absolutamente demonstrado que uma pessoa destas características seja mais propensa a sofrer doença coronária, mas estas pessoas parecem sofrer maior número de episódios de angina de peito e de enfarte. Tal poderia atribuir-se a um aumento do trabalho do coração e, portanto, de consumo de oxigénio em certas situações.

antecedentes familiares

Nem todas as pessoas com um antecedente familiar de enfarte têm de o sofrer, mas têm maior número de possibilidades que uma pessoa sem tais antecedentes. Se se possuírem antecedentes familiares, o mais prático é procurar evitar todos os demais factores de risco. Deste modo é muito provável não se terem problemas com as artérias coronárias.

anticonceptivos orais

Em mulheres sãs com menos de 30 anos que não fumam, não são hipertensas, diabéticas ou hipercolesterolémicas, o risco é nulo. O tabaco aumenta de forma nítida o risco de doença coronária quando se associa a anticonceptivos orais.

consumo de café

Não se via nele uma relação directa com a doença coronária. No entanto, condiciona uma falta de sono e um estado de excitação que em presença de doença coronária, e em altas doses, poderiam tomá-lo perigoso. Não há mal nenhum em tomar uma ou duas chávenas de café por dia.


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